Delegada da Mulher de Canaã dos Carajás explica por que o avanço feminino de 36% em cargos de gestão tem gerado mais agressões e cobra implementação urgente dos centros reflexivos para agressores

Canaã dos Carajás (PA) – Em entrevista exclusiva à nossa equipe, a delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Canaã dos Carajás, Natália Ferreira, analisou os 19 anos da Lei Maria da Penha (completados em agosto de 2025) e fez um alerta contundente: mesmo com as mulheres ocupando hoje 36% dos cargos de gestão no Brasil (governo e empresas), a violência de gênero só aumenta.

“Quanto mais a mulher evolui profissionalmente, mais ela é perseguida, agredida e assassinada. Estamos com média de quatro feminicídios por dia no país em 2025”, afirmou a delegada, citando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Mapa Nacional da Violência de Gênero.

“É uma violência endêmica e pandêmica, reconhecida pela ONU como problema mundial. Ela nasce da estrutura machista e patriarcal que ainda domina a sociedade”, completou.

O “macho ferido” e a necessidade de envolver os homens

Natália reforçou a tese do “macho ferido” – conceito que explica a reação violenta de alguns homens diante da perda de controle ou da independência da parceira:

“O homem é o principal autor dessa violência. Ele precisa ser chamado ao centro da luta. A Lei Maria da Penha prevê centros reflexivos para agressores, mas quase nenhum município implementa. Precisamos investir nisso e começar a educação desde a infância: meninos crescem com helicópteros e meninas com vassouras – isso reforça a ideia de dominação.”

Como está a situação em Canaã dos Carajás

Segundo a delegada, a cidade tem uma das redes de proteção mais estruturadas do interior do Pará:

“Os números não cresceram, mas apareceram. As mulheres estão se sentindo encorajadas a denunciar. A violência sempre existiu, agora está visível e estamos conseguindo proteger as vítimas”, comemorou Natália.

Mensagem direta da delegada

Para os homens: “Vocês são os principais atores dessa mudança. A relação saudável aceita o ‘não’. A mulher não é objeto.”

Para as mulheres: “Ao primeiro sinal de controle, ciúme excessivo ou violência psicológica, denunciem. Aqui temos estrutura para acolher.”

Para toda a sociedade: “Mete a colher sim! Denuncie anonimamente pelo Disque 181 da Polícia Civil. Só com a união de todos – vizinhos, família, imprensa – conseguiremos salvar vidas e evitar feminicídios.”

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